HONESTOS A PONTO DE SERMOS TRANSPARENTES

HONESTOS A PONTO DE SERMOS TRANSPARENTES
23 de setembro de 2021 Escola Cristã Jundiaí

Segundo o dicionário, honestidade é característica de quem é decente, de quem tem pureza e é moralmente irrepreensível. As mídias estão repletas de notícias sobre corrupção. É até cansativo ouvir ou ver casos de falta de uma característica tão fundamental para a sobrevivência das relações humanas. Quem consegue ter relacionamentos profundos sem confiar? Quem consegue confiar em quem é moralmente imprevisível?

Honestidade, assim como os demais valores de caráter, não é algo automático. A natureza humana é tendente ao erro. Saber o certo e o errado tem um componente nato: a consciência. Escolher o certo, entretanto, não está naturalmente no comportamento. É preciso aprender a ser honesto. É necessário ensino e disciplina para formar homens e mulheres corretos em suas ações. Como fazer isso?

O primeiro ingrediente é o exemplo. Quando os pais vivem o que ensinam aos seus filhos, estão demonstrando a honestidade. Quando são honestos nas pequenas coisas, forjam filhos capazes de resistir a grandes pressões. Filme pirata não pode ser visto. Se estiver em casa, não poderá dizer que não está. Se tiver troco a mais, terá de ser devolvido.  Quando pais celebram o achado que o filho trouxe para casa sem ser dele, estão iniciando mentes que aceitam o roubo. Quando os filhos se surpreendem com os pais fazendo coisas erradas às escondidas, tendem a aceitar o conceito de vida dupla. Quando os pais não insistem em ter filhos que abrem suas vidas para que eles conheçam e participem, acabam favorecendo um ambiente para a desonestidade.

A Bíblia é muito enfática quanto à transparência. O risco de pecar é inerente a todas as pessoas. O problema maior não é pecar, é permanecer no pecado a ponto de torná-lo um hábito normal. Expor os erros com honestidade e mudar de atitude é uma maneira de adquirir um caráter aprovado. Ser transparente é deixar que os olhos de Deus atravessem o interior para verem e tirarem todo o mal. 

Nossa mente e coração são os lugares onde nascem nossas ações. São a fábrica de nosso comportamento. Os olhos de Deus são capazes de penetrar e transformar, mas muitos não são sinceros diante d’Ele. Não se importam com o que Deus vê, ignoram o olhar d’Ele. O rei Davi pecou e ocultou seu pecado. Depois de confrontado, ele confessou e, muito arrependido, admitiu que até os seus ossos estavam adoecidos por conta de sua desonestidade (salmos 32.3-5). O apóstolo João diz que se andarmos na luz como Deus está na luz, o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado e temos comunhão uns com os outros (1 Jo 1.5-9). A lição de humildade de Davi é para todos nós. Admitir e se deixar corrigir é o caminho para ter o caráter e os relacionamentos transformados.

Muitas famílias têm sofrido de enfermidades emocionais e de graves problemas de relacionamento porque não cultivam a transparência. Andar na luz é não ter esconderijo em que o cônjuge não possa estar. É levar os filhos para o seu secreto e deixá-los felizes ao encontrarem apenas Deus lá dentro. Andar na luz é andar de maneira que Deus e qualquer pessoa possam ver o que é feito. O quarto não pode ser o lugar onde pais,  filhos fecham a porta para praticar impurezas. Um lugar onde se pensa que ninguém pode ver. O quarto deve ser o lugar de paz, de tranquilidade. 

 Ao ensinar a orar, Jesus instruiu a entrar no quarto e a fechar a porta para que Deus, que está naquele lugar secreto, pudesse recompensar tal atitude com Sua presença. O único lugar secreto em nossa vida deve ser aquele que construímos para estarmos na presença de Deus desenvolvendo um relacionamento profundo e prazeroso com Ele.

 Quando Adão pecou, tentou se esconder de Deus atrás de folhas. Penso que essa prática ainda é amplamente repetida. Quem deveria viver andando com Deus, criou estratégias para fugir d’Ele a fim de se manter em suas práticas pecaminosas. O pecado é terrível, ele nos separa de Deus e nos separa das pessoas que amamos. Vamos tirar as folhas e deixar os olhos de Deus nos enxergarem. Ainda que o olhar de Deus provoque dor ao penetrar e arrancar o que temos de ruim, ainda é muito melhor que contemplar os olhos de um filho envergonhado diante de um flagrante pecado nosso.

Que tal fazer uma revisão em casa para verificar se existem coisas escondidas que precisam ser tratadas com luz? Que tal verificar se há alguma prática desonesta na família e passar a agir diferente? Sem dúvida, as futuras gerações dependem de pessoas honestas, pessoas confiáveis. Um bom futuro para nossos filhos não será construído num ambiente de trevas. Mas se andarmos na luz, exporemos nossos filhos à luz e eles serão homens e mulheres de caráter.

 

Tony Felício