Qual foi a última vez? – Lídia Alachev – 9º ano C

Qual foi a última vez? – Lídia Alachev – 9º ano C
1 de fevereiro de 2018 Escola Cristã Jundiaí

Qual foi a última vez?

Lídia Alachev

 

Quinta-feira, 3 de agosto de 2017. Eu e meus pensamentos de frente para o papel, fazendo a pergunta que talvez tenha sido a mais importante de minha vida. “Que marca estou deixando no mundo?” Sorrisos? Lágrimas? Qual foi a última vez que fiz algo realmente significante?

Era um dia normal para mim, menininha de oito anos. Acordar, tomar café, ir para escola. O que fez daquele dia diferente dos outros 364 foi que na noite anterior me haviam dito que a cantineira da escola havia sido assaltada. Aquilo só significava uma coisa: ela precisava de dinheiro.

Então, eu, em minha infantil inocência, abri meu cofrinho e depositei boa parte de minha “fortuna” em um envelope especialmente decorado com canetinhas, giz de cera e lápis de cor.

Naquela manhã, assim que escutei o estridente sinal e vi meus colegas saírem sorridentes com suas lancheiras em direção ao pátio, me levantei. Me dirigi à cantina, um pouco nervosa e entreguei minha pequena oferta. Sem nenhuma palavra, mas com a satisfação de ver um sorriso surpreso, virei de costas e fui comer.

Alguns dias depois, minha mãe veio parabenizar-me. Tudo fora feito em tamanho sigilo, que nem ela soubera. Passou o tempo e me esqueci do que havia feito, mas a cantineira não. Mais de cinco anos havia se passado quando ela, sorridente, me mostrou o envelope.

Não. Essa não foi a última vez que fiz algo realmente significante. Foi semana passada, quando abracei uma professora e disse que senti saudade. Ou ontem, quando sorri para a atendente do caixa, no mercado. Na verdade, foi hoje, quando dei “bom dia” para meu irmão.

Quinta-feira, 3 de agosto de 2017. Eu e meus pensamentos de frente para o papel, fazendo a descoberta que talvez tenha sido a mais importante de minha vida. Doações filantrópicas, trabalho voluntário e grandes discursos em prol de causas nobres são coisas lindas e honráveis.

Contudo, descobri que são as pequenas ações, feitas todos os dias, que mudam o mundo. São as pequenas pessoas fazendo o melhor, escolhendo servir e se entregando por inteiro que deixam as marcas mais bonitas no mundo e fazem dele um lugar melhor.

Escola Cristã Jundiaí