PERTENCER

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10 de outubro de 2018 Escola Cristã Jundiaí

Série: Verbos Para Conjugar em Família

Por Tony Felicio

            De quem são seus filhos? Do mundo? Dos amigos? Da Internet/Mídia? Da escola?

Leia o fragmento abaixo, de minha autoria, em que o personagem, um adolescente,   mostra-se confuso a esse respeito.

            Não sei de quem sou, quando nasci pensei que era da minha mãe. Aí me deram a meu pai. Percebi que era dos dois, mas eles eram difíceis de ver. Conheci uma garota a quem chamava de Baia. Ela era legal, cuidou de mim, mas foi embora e chegou outra e depois outra… Cresci, disseram que eu devia ganhar o mundo, mas acho que o mundo me ganhou, conheci um cara que me deu um papelote, usei, gostei, acho que passei a ser dela, da erva, fiquei doente, fui pro hospital e até tomar banho não podia, acho que passei a ser da enfermeira, meus pais? Esqueci deles, ou será que fui esquecido, hoje estou melhor, mas confuso; gostaria de saber de quem sou. Não me diga que sou de mim mesmo, por que isso seria trágico no meu estado. De quem sou eu? Sou de quem dá mais por mim!

Os pais são os principais responsáveis por guardar o senso de pertença de seus filhos. Está registrado dentro de cada um de nós. Faz parte de nossa natureza. Somos seres sociais que precisam sentir-se “parte de”. Fomos criados para pertencer a Deus e recebermos d’Ele todas as afirmações que precisamos para vivermos de forma segura e plena. Com a insistente rebelião do ser humano contra Deus, as pessoas se distanciaram d’Ele e vivem tentando satisfazer sua necessidade de pertencer a outras pessoas, ou até a coisas que nunca resolvem, só aumentam o problema.

Sentir-se parte é sentir-se aceito por alguém ou algum grupo. Toda criança deveria ter essa necessidade suprida em sua família. Ela cresceria sendo acolhida e suprida por adultos que demonstram o quanto ela é especial a partir de um amor prático, paciente e perseverante. Com as famílias sofrendo constantes ataques ideológicos, isso tem se tornado um problema. Pais e mães têm estado ausentes por causa do trabalho ou pela falta de entendimento de seus papéis na formação dos filhos. Crianças têm crescido sozinhas, com parentes ou com babás que nunca conseguirão atender ao que os filhos realmente precisam. Frustrados, eles continuam em busca de resolver sua necessidade de pertencer. Assim, muitos acabam encontrando na rua, na escola ou até na Internet um grupo para fazer parte. O problema é o que eles ouvem, veem e experimentam nesses grupos. Sem convicções bem estabelecidas, qualquer mentira defendida por um grupo de pessoas pode se tornar uma verdade. É assim que muitos jovens acabam tomando caminhos contrários a seus desenhos originais, aquele que o Criador fez. As ideologias e as drogas têm sido muito difundidas e aceitas nesses ambientes onde iguais tentam se auto-gerenciar sem a segurança de mentores moralmente e espiritualmente confiáveis. Onde estão os pais?

Infelizmente muitos têm se deixado levar pelos enganos da pós-modernidade. Sucesso não é ter tudo o que desejamos. É realizar o que nascemos para realizar. Se nós temos filhos, eles devem ser nosso maior investimento. São muito mais que coisas ou projetos. São pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus que recebemos o privilégio e a responsabilidade de conduzir até Ele. Só Deus pode realmente satisfazer o senso de pertença de alguém. Os principais representantes d’Ele nessa tarefa são os pais. O apóstolo Paulo afirma que toda a família de Deus toma Seu nome (Efésios 3.15), demonstra a paternidade de Deus, ou seja, somos representantes do que Deus é. Que representantes temos sido? Nossos filhos têm descoberto o quanto são amados por Deus a partir do nosso amor por eles? Têm descoberto seu desenho original, por que e para que foram criados? Eles têm se surpreendido com Jesus a fim de segui-lo até terem com Ele um relacionamento que preencha completamente sua necessidade de amar e ser amado?

Pertença está intimamente ligada a relacionamento. Quando investimos tempo de qualidade em família, estamos guardando nossos filhos de desejarem pertencer a outro lugar. Ninguém deseja fazer parte de um lugar cheio de conflitos, desconfianças e tristezas. Todos nós desejamos fazer parte de um grupo unido por amor verdadeiro, afinidades reais, alegria contagiante e respeito mútuo. Família foi planejada por Deus para ser esse lugar. Cada integrante com papel definido se percebe útil e importante para o crescimento de todos. Pais provedores de segurança, recursos e proteção; mães ajudadoras, amadas e amáveis demonstram com seu cuidado prático e conselho sábio como é bom pertencer àquela casa. Filhos bem amados e orientados escolhem a honra aos pais e crescem com convicções e laços que os guardam dos enganos do mundo.

Na história descrita no início desse artigo, existe um clamor que acredito ser o de muitas crianças e jovens. É um pedido de ajuda de uma geração que não aguenta mais ser leiloada. Quero convidá-lo a fazer parte de um grupo de pais que não abrem mão de seus filhos. Nós geramos, nós recebemos a missão de cuidar, nós temos a responsabilidade de guiar nossos filhos a uma vida plena. Quando nossos filhos precisarem de atenção, estaremos prontos a dá-la; quando precisarem de respostas, estaremos preparados para orientá-los; quando alguém tentar ameaçá-los, que eles saibam a quem pertencem e o quanto podem nisso descansar.  De quem são meus filhos? São de Deus, são meus, são nossos. Estamos juntos nesse privilégio de preparar homens e mulheres que cumprem o propósito de sua existência.

Para conversar em casa:

  1. Onde nossos filhos preferem estar? Em casa ou fora de casa? Por quê?
  2. Nosso casamento é um abrigo espiritual e emocional para nossos filhos? Por quê?
  3. Meus filhos estão com algum tipo de dúvida sobre quem são ou sobre o que devem fazer? Quais?
  4. Como o senso de pertença suprido pela família pode resolver isso?
  5. Os filhos encontram nos pais um porto seguro para expor seus conflitos e o que estão vivenciando ou se calam em seus quartos e/ou procuram outros para desabafar?
  6.  O que é possível fazer na prática para reverter essa situação?

 

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Um grande abraço,

Tony Felicio

Professor de Valores Para Vida

Escola Cristã Jundiaí