Um simples olhar – Davi Paiva Santos – 8º ano C

Um simples olhar – Davi Paiva Santos – 8º ano C
1 de fevereiro de 2018 Escola Cristã Jundiaí

 

Um simples olhar

Davi Paiva Santos

                Andava pela periferia de Carapicuíba, que continuava sendo muito criticada e rejeitada pela sociedade a sua volta, porém as pessoas não tinham noção do amor e carisma que tinham em seu coração.

Andava pelas ruas com o coração partido por aquele povo. Pensava em soluções para tentar ajudá-los, mas não conseguia pensar em nada realmente capaz de ser feito. A cada passo, uma ideia.

Já anoitecia e precisava retornar, pois infelizmente a periferia era muito perigosa de noite. Caminhando escutei um som de uma criança gritando e pulando; no início pensei que estava sendo capturada ou algo do tipo, porém me surpreendi com o que estava acontecendo.

O menino estava se divertindo com o jogo inventado. Estava arremessando pedras em latões de lixo distante de sua posição. Sem fazer barulho, fui me aproximando do garoto para ver melhor seu jogo.

Como treinador de basquete, sei que ele tinha uma boa mira e um grande potencial para ser um futuro jogador. Porém meus pensamentos não eram maiores que meus sentimentos, o garoto me fez ser convencido e comovido pela sua simplicidade e diversão. Foi então que resolvi me aproximar e conversar como quem não queria nada.

A princípio o garoto se assustou com a minha presença:

– Oi, o que está fazendo ai?

– Desculpa, moço, já estou indo para casa.

Não era minha intenção assustá-lo, então, logo respondi:

– Não, não! Está tudo bem! Pode continuar jogando, só queria conversar com você.

– Lá vem! Mas tem que ser rápido, porque meu pai pode chegar a qualquer momento.

– Qual o seu nome, garoto?

– André.

– André, você conhece o basquete?

– Já ouvi falar lá na cidade, mas não entendi direito o que é.

– De onde você tirou a ideia do jogo que está jogando?

– Da minha cabeça.

– Saiba que o basquete é bem parecido com o seu jogo.

– É sério?

– Sim!

Conforme o tempo foi se passando, fui explicando ao pequeno as regras e o objetivo do jogo, e a paixão do basquete foi aumentando cada vez mais.

O tempo se passou e a noite também, já era tarde e o pai poderia estar a caminho. Disse a ele que retornaria para continuarmos conversando e talvez levá-lo para treinar o jogo.

Havia criado um laço com o menino. Tinha um coração simples e ansioso. Além disso, via o amor pelo jogo em seu coração.

No dia seguinte, cheguei à periferia o mais rápido possível, para ver se André estava lá. Não me surpreendi ao vê-lo lá, jogando seu jogo inventado. Porém minha maior surpresa foi ver seu pai brincando com ele.

Logo que me viu, André me deu um abraço carinhoso e logo me apresentou a seu pai. Para a minha surpresa era um homem simpático e gentil, muito diferente do que pensei, que vergonha do meu preconceito…

Após algum tempo de conversa, Roberval, o pai do menino, aceitou a proposta do seu filho treinar comigo durante alguns dias, porém eu iria ter que levar e trazer o garoto.

Passaram-se cinco meses e o garoto já era o melhor. Estava participando dos campeonatos regionais.

Em um dos campeonatos, um treinador da seleção de basquete do Brasil Sub-15 o chamou para fazer parte do seu time e ter uma chance melhor de virar um grande jogador.

A família de André estava apoiando totalmente seu filho em todas as competições.

Após ver minha capacidade de treinar, o professor da seleção me convidou para ser seu ajudante nos treinos. Minha vontade era grande, porém recusei com dor no coração, pois não queria largar meus alunos e minha escolinha para trás.

– Meu querido amigo André, não queria deixar de ser seu treinador, porém a vida segue. Você tem grande chance de se tornar um grande vencedor.

– Obrigado, treinador, por tudo que fez por mim.

Após isso, André e sua família se mudaram para o Rio de Janeiro para continuar a carreira de André.

Passaram alguns anos, minha aposentadoria chegou e finalmente fiquei em paz com os meus feitos. Até que recebi um telefonema e uma voz grossa veio a mim com um pedido. Era André dizendo sobre sua transferência para outro país, onde iria jogar em um time estadunidense,  em uma das maiores equipes para um jogador da NBA.

Emocionei-me com o convite para ir com ele. Porém recusei com a ideia de salvar outros Andrés.

Hoje André é um dos maiores jogadores da NBA. Com seu salário, ele ajuda sua família e amigos de sua antiga periferia.

 

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